outroscaminhos @ 17:41

Qua, 26/12/07

   A noite é de festa, o dia de família, mas a tristeza invade-me o espirito.

   Deixei o quente da sala, os risos forçados, as alegrias ensaiadas e vim até cá fora. Sento-me nesta cadeira a ver a lua. O frio que me gela a ponta do nariz faz-me acordar. É o primeiro natal desde que partiste.

    A lua está cheia. Consigo rever-te na lua que me ilumina. Tudo mudou, embora pensasse que não. Do outro lado vejo as famílias todas reunidas, as salas cheias, as casas animadas com movimento. Sabes, às vezes fico a pensar que não me lembro do ultimo presente que me deste, ou da última conversa, ou até do ultimo passeio. Será que alguma vez houve algum? Procuro no vazio das memórias. Nada. Não tenho nada para contar. Mas não faz mal! Assim posso sonhar como seria... E sonhar é tão bom, atenua a realidade.

   Os natais daqui para a frente serão todos assim, melancólicos, tristes e cheios de saudades tuas. O meu pedido é só um: que todos os Natais eu possa ter uma lua cheia onde te reveja.

   Bem, vou voltar para dentro. Estejas onde estiveres, Feliz Natal.

 


Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensara vê-lo até à morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

(...)

 


E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

                     Florbela Espanca

 

 

Amadeu Martins



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Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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