outroscaminhos @ 19:08

Ter, 11/12/07

Parece-me, em dias em que o Sol brilha intensamente mas não aquece, que as metáforas já envelheceram. Do ângulo sombrio vindo das trevas, os paradoxos têm rugas de falta de uso.
E, qualquer dia, também não serão mais necessárias as viagens de autocarro, porque estar aqui ou do outro lado do mundo começa a ser indiferente. O mal da sombra é que torna os lugares mais parecidos uns com os outros. Luz é distinção.
Mas não, ainda não, a viagem está a ser feita agora. E sem música é uma heresia humana. O mestre dos pecados é deixar acidentalmente o mp3 em casa e viajar em certos transportes públicos. Não, não é por falta de variedade de pessoas. É pela limpeza psíquica e física que não fazem e que todos os meus sentidos percepcionam. São autênticas catástrofes humanas à  escala mundial.
Ainda que feche os olhos, continuo a ouvi-los. E mesmo que veja a paisagem, é o reflexo deles que aparece na janela. Sem metáforas, não há imaginação. Concentro-me na música e prendo bem a guitarra que trago  entre os joelhos. Aperto-a bem porque a olham com desdém, com raiva até. É importante não esquecer que, na toca da podridão o erro, o pecado e o olhar reprovador caiem sobre o instrumento nos meus joelhos.
Não há mais figuras de estilo. O som dissipou-se e as pessoas são surdas, até na alma.
Inês


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Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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