outroscaminhos @ 20:58

Qui, 29/05/08

   Pois é! Depois de um longo ano de trabalho e como já aconteceu comigo, os outros grupos já apresentaram os seus trabalhos. Denotam-se os rostos de felicidade que se confundem nos olhares nervosos daqueles que estão a apresentar, e eu percebo realmente o que eles estão a sentir.

   Foi um ano muito difícil em termos de trabalho, estamos todos cansados e a finalização dos projectos bem como as apresentações são elementos que exigem um esforço adicional, não só pela imaginação e criatividade que exigem, mas também por todos os problemas que vão surgindo na concretização.

   A apresentação do grupo "Erasmus" no Polivalente correu muito bem e foi bastante original, não só pelo jogo, que embora com perguntas difíceis, foi muito aliciante e contribuiu para o melhoramento dos nossos conhecimentos geográficos e culturais, mas também pelas danças características de cada país, que para quem tem "dois pés esquerdos" foi um momento muito divertido... ou não!!!

  A apresentação do grupo da Marginalidade, foi uma autêntica surpresa porque para além de não conhecermos a reportagem, fomos presenteados com a actuação de uma banda que mistura o hip-hop com instrumentos de sopro e que dá um resultado bastante agradável. A apresentação em si, correu como o grupo estava a espera, pois embora muito nervosos conseguiram surpreender as pessoas e fazer com que pensassem nos problemas que abordaram no seu tema.

 

   Depois de ver tudo isto, depois de reflectir, eu penso que nós estamos todos de parabéns, não ninguém em particular mas toda a TURMA, porque com a ajuda da "stora" aprendemos a não desistir, aprendemos que tudo é possível, aprendemos a ter força, aprendemos a não nos calarmos e a lutarmos pela nossa razão...

 

   Tal como o grupo da Marginalidade dedicou um poema à Turma que falava da amizade, eu dedico este poema de José Carlos Ary dos Santos, porque para além da amizade que há entre as pessoas da turma é de glorificar a força de todos nós que tivemos, temos e teremos para lutar contra todos os problemas, todos os entraves, todos os obstáculos.

    

   Parabéns aos grupos, parabéns a todos, parabéns à Turma!!!

 

"Soneto"

Fecham-se os dedos donde corre a esperança,
Toldam-se os olhos donde corre a vida.
Porquê esperar, porquê, se não se alcança
Mais do que a angústia que nos é devida?

 

Antes aproveitar a nossa herança
De intenções e palavras proibidas.
Antes rirmos do anjo, cuja lança
Nos expulsa da terra prometida.

 

Antes sofrer a raiva e o sarcasmo,
Antes o olhar que peca, a mão que rouba,
O gesto que estrangula, a voz que grita.

 

Antes viver do que morrer no pasmo
Do nada que nos surge e nos devora,
Do monstro que inventámos e nos fita.

 

José Carlos Ary dos Santos

 

                                                           

 

                                                                                                      Amadeu Martins




outroscaminhos @ 15:01

Qui, 29/05/08

Passou distraidamente a mão pelo caderno, folheou-o. Estava tão distraído, tão longe dali, daquele momento, daquelas pessoas. Da secretaria e do Universo. Esta no lado do Arco Íris sem pote de Ouro mas, mesmo assim, estava longe e num sitio confortável.
Penteou o cabelo escuro e olhou-se ao espelho. Cerrou o maxilar e o rosto era duro, de traços fundos, quase como linhas. Mas os olhos, os olhos... Ele notou que tinham um brilho especial, que estava distante, no lugar do arco-íris de uma só cor.
Amava. Intensamente. Qualquer coisa menos uma pessoa. Tudo excepto algo que remetesse para um sentimento socialmente real. Amava intensamente a vida e a musica, o mar e a sua violência. Amava o mundo e amava a sua solidão. E a sua cicatriz social.

Passou distraidamente a mão pelo caderno, folheou-o. Estava perdida, enclausurada nos seus pensamentos pelos outros, os que a temem e a odeiam. Mas que todos os prisioneiros fossem como ela, trancados numa espécie de paraíso falso ( felicidade não e ignorância e um ignorante não tem alcance mental para perceber que infelicidade e a felicidade são a mesma coisa. Alternam simplesmente de fases e se não coexistirem não existem)
Fechou o livro e olhou-se ao espelho. O rosto era cansado, marcado pela persistência de ser ela própria todos os dias. E viu a cicatriz nascer, a flor de lis. Observa - se e observava o crescimento da cicatriz todos os dias, talvez para contabilizar os dias e ver o crescimento da sua condenação. Ao menos, não era inocente. Ela era um crime no mundo e se não morreu ate agora foi porque teve a agilidade de uma pantera ,negra como a noite, e a força de um castelo de ferro. Se ainda guarda e defende no peito o ideal é porque acredita. E ama a vida e a sua própria existência.

Pararam os dois em frente do passeio. Ele reparou que ela ouvia a musica dele, a musica que era dele, que ele guardava numa gaveta especial no coração. Trancada à chave.
Ela viu que ele tinha o mesmo ar dela, que tinha o mesmo passo leve e o mesmo olhar em contraste com o mundo – os olhos eram divinos, procuravam a perfeição azul, o rosto, cicatrizado.
Falaram-se, como se conhecessem. Nenhum deles tinha, em momento algum mais brilhante, falado tanto e tão descontraidamente sobre si. E nenhum deles se esqueceu da perturbação que causaram um ao outro.
Os dois partilharam a solidão. Foram , calmamente, um com o outro beber café, não foram juntos. As solidões deram, um dia mais tarde, a mão.

 

Maria Ines (L.C.)

 



Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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