outroscaminhos @ 18:25

Sex, 04/04/08

Nada temas que deste lado do rio ninguém te condena, ninguém recolherá a mão no instante da oferta de ajuda. Aqui, também somos como tu, também somos fugitivos que encontraram na fuga a coragem de viver. Quem vive sob represálias e opressões não vive na sua plenitude, não vive completamente, existir não é a mesma coisa...

Nada receies, aqui deste lado do mundo banhado pela sombra, somos todos amigos. Nenhum de nós te apunhalará e nenhum de nós te olhará com desdém. Aqui, deste lado do espelho, não temos nem as riquezas nem as regalias dos outros, mas tudo o que damos é dado realmente, a única coisa que se espera em troca é o respeito silencioso .Mas sim, é verdade, pouco ou nada temos a oferecer.

Porém, vejo no teu gesto mais simples que nada mais queres do que ser tu, aceitar os outros e ser aceite, manter a terra redonda, manter o céu e mar de tons de azuis diferentes. Nada mais és senão a pessoa de pensamentos reflexivos, tens a tua consciência que te serve de guia. Pertences aqui, ao lugar dos renegados.

 Os teus olhos estão cansados e brilhantes, esperam ainda o fogo da vida. A tua face pálida carece de Sol, que aqui não existe. Em parte condenaram-te... Os Outros, ocos por dentro e disformes por fora, arruinaram-te. Mas milagre humano e credível, sobreviveste, levantaste-te; roubaram-te, mas não levaram o essencial. Na verdade, és um obstáculo para os outros, os do Outro Lado. Diminui-los, reduze-los a cinzas, mostras-te grande na tua simplicidade profunda. Não, não sou como tu, nasci já deste lado do espelho...E além disso, fui soldado de guerra, aprendi a fuzilar.

Nada temas, que deste lado todos temos cicatrizes deixados pelas lutas com os Outros, umas maiores e mais frescas que outras. Seja de que forma for, deixámos o sangue nas praias, calcado nas rochas. Agora renovámo-nos. E recebemos-te verdadeiramente. Aqui não há instrumentos de tortura. Descansa em paz, irmão.

Maria Ines C.




outroscaminhos @ 11:34

Sex, 04/04/08

 

 

No dia 7 de Março realizou-se, no auditório da Escola Secundária da Amadora, uma conferência sobre Marginalidade - Prostituição, que contou com a participação da Drª Inês Fontinha e da assistente social Conceição Mendes, ambas da associação O Ninho. Esta actividade foi organizada pelo nosso grupo, no âmbito da disciplina de Área de Projecto.

 

No nosso ponto de vista, a conferência foi um sucesso, já que a mensagem transmitida foi certamente assimilada pelos presentes e claramente nos alertou e esclareceu dúvidas que tínhamos sobre o assunto.

 

Certamente uma experiência a repetir!

 

Para concluir gostaríamos de agradecer à Drª Inês Fontinha, directora da associação O Ninho, bem como à assistente social Conceição Mendes, técnica na instituição, pela disponibilidade e participação na actividade, assim como às turmas e respectivos professores presentes, pelo interesse e postura durante toda a conferência. Por tudo isto o nosso Obrigado.

 

O Grupo:

Ana Rita Marques

António Ferreira

Telma Alves




outroscaminhos @ 10:59

Sex, 04/04/08

Batia tão forte a luz e longe do meu olhar, infinito de mil tons

Sem querer  procurei -te e encontrei, em cada sorriso teu,.

Como pode ser tão bom este mal que tu me fazes...

Quando o dia rasgou, a primeira lágrima assomou e fez -me perceber

Que gosto de gostar

E sinto a tua falta todo o dia!

Abandonaste o meu recanto, levando contigo todo o encanto

E deixando este amor triste.

Com o que restava de ti ali fiquei, chorando tudo o que de ti havia em mim...

Sei que algo lá fora me espera,

Aquilo que só eu posso construir,

Aquilo que somente eu imaginei... 

É o sonho que só eu posso realizar! 

 

 

Telma Afonso #9


sinto-me: Muito feliz


outroscaminhos @ 19:42

Qui, 03/04/08

                   Olho para o céu… Nem uma única estrela. A lua abandonou-me, o sol já não está lá. Está tudo cada vez mais escuro.
            Apagou-se a última luz. Tinha tanta esperança que mudasses, tinha tanta esperança que pelo menos uma vez na vida me mostrasses o que realmente vales. Mas tu destruíste tudo. Agora não quero saber. Fica na noite escura porque eu também estou nela, mas vou procurar uma luz. Tenho que a encontrar. Não vais fazer com que esta escuridão me cegue. Não vais…
              Hoje, apagaste a última vela. Sim, porque o sopro foi teu. Tenho tanta pena que a tenhas apagado. Ainda conseguia ler alguma ternura nos teus olhos, mesmo com dificuldade. Escolheste o caminho mais fácil. Já o tinhas feito antes com outra pessoa que abandonaste à mercê da vida. Nunca te perdoei. Não! Não acendas de novo a vela. Agora já só há cera.
           A escuridão esconde as minhas lágrimas, mas ainda bem, porque eu vou passar por cima de tudo. Eu vou vencer.
           Tu! Tu vais provar o amargo da solidão e, mesmo que queiras sair da escuridão, vais ver que todas as estrelas se vão recusar a brilhar, que a lua estará sempre no seu estado invisível, que as velas serão todas constituídas unicamente por cera. Tu nunca encontrarás a luz e aí nós somos diferentes. Porque eu tenho duas pessoas que sempre me darão um pouco do seu lume para eu ver o caminho. Tu não terás ninguém…
          Adeus. Vou à procura da luz…
Amadeu Martins

sinto-me: no escuro
música: tears and rain - james blunt


outroscaminhos @ 16:57

Ter, 01/04/08

Vem sentar-te ao meu lado,

Quero saber que estás comigo.

Conta-me as tuas histórias.

 

Consegues ouvir?

É o rio a correr e a passar entre as pedras.

Aqui estou bem.

 

Fecha os olhos e vê o meu sorriso,

Lembra-te de tudo o que eu te dei sem que tivesses visto,

Assim como eu faço com tudo o que me deste e ensinaste.

 

Canta para mim mais uma vez.

A tua voz é pressentida aqui.

As folhas acompanham-te e as rãs também.

 

Ja viste?

Hoje tive coragem.

Não para dizer que és parte de mim,

mas para dizer que parte de mim está contigo.

Essa parte que nunca mais vai voltar.

 

Espreita aqui neste cantinho,

É a gaveta maior do meu amor.

Toma a chave! Abre-a!

 

Olha!! Estás a ensinar-me a andar!!

E agora estas a defender-me, porque sempre foste assim.

Aqui estás Tu, eu e o tio.

Foi o tio que me ensinou a canção do "sólidó", recordas-te?

 

Mas agora já não refilas com o tio,

Nem me convidas para ir tomar o pequeno-almoço a tua casa.

 

Posso pedir uma coisa?

Diz ao tio para não chorar.

 

Tia, esperas por mim?

Nunca me vou esquecer de Ti.

 

 

Nádia Correia nº8

 

 

 




outroscaminhos @ 16:48

Ter, 01/04/08

Não deixa de ser inteligente essa opção tua, a de ao invés de desejar a sorte, almejar controlar o azar. Aliás, bastante astuta, observando com a lupa o pormenor quase epicurista. Claro está, não procuras prazer, nem foges do desprazer. Partiste em busca de ti, do teu lugar no mundo. A tua alma é grande porque se sabe única e impossível de ser copiada; porém, sorris ao anonimato mundial. Gostas de ser ninguém, melhor, aprendeste a ver o lado brilhante da lua nesse facto.

Quem te olhar superficialmente explorará a tua arrogância inexistente, o teu desdém para com Deus que nada fez por ti, pela tua dor. Deus ou deus, é indiferente agora, foi essa a tua mudança em ti. Por isso, não és herói e por isso não tens uma terrível e tenebrosa morte prematura. A diferença está no troço da escolha, no momento fulcral em que decides quem não queres ser. A tua perspicácia outra vez, escolher entre qualidades é mais fácil, muito mais apaziguador.

Vejo-te do outro lado da rua, vejo-te do outro lado da estrada ou do espelho, o mundo, por vezes, é um lugar pequeno. E é ao ver-te que reconheço os traços do soldado do novo exército, aquele que fará nascer um novo e purificado mundo. Se desejas a paz, participas na guerra; se amas a noite, vives intensamente o dia; se choras às escondidas em noites de luar sombrio a dor de seres tu, então na noite de lua seguinte ergues-te com um amor bélico à tua existência, que é próprio dos solitários e dos humildes. Sem heroísmos, apenas com humanismo. Tens uma existência pacífica que em nada é passiva; e és tu e tens em ti o conjunto do mundo. És a esperança que te agarra à vida porque sabes que tens um caminho no mundo único e não copiavel; no entanto, não fazes falta se amanha apertares a mão a Hades ou a Horus. Não por teres negado Deus – tem-lo em ti – mas por teres afirmado que olhas, e observas, e apaixonas-te pelas estrelas todas as noites.

O teu amor é azul, discreto, ninguém vê quão intenso se torna quando o sol nele incide.

Maria Ines C.



Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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