outroscaminhos @ 21:16

Dom, 03/02/08

Há dias assim. Em que o espírito é esvaziado, torturado e tudo o que sobra é música. A música. Uma que preencha o vazio que tende a entranhar-se nos ossos quando o coração arrefece - um congelamento interior absurdo.

Então, a mudança torna-se urgente. O quebrar das ondas contra as rochas, o uso da razão não passional. A revolução que se faz a dormir.

Verdade é que a revolução não é quente, daí que um coração frio torne os olhos baços e mortiços. A Primavera não faz sentido. O nascimento da cor é antagónico. Um esforço pateta. Patético. Inútil, porque o Inverno adequa-se a lareiras, ao aquecer das mãos, quando tudo o resto está em coma. E se ainda há calor, então é possível despertar a qualquer instante...

Mas para ela, é já tarde. O tempo de espera chegou ao fim, mas não terminou. Esperará sempre. Talvez entregue as cinzas da sua existência cremada a alguém, a algo. É tarde, mas todos nós continuamos (o quê?). A alma dissipa-se, é uma dor cujo único sintoma é a apatia existencial, a doença grave dos que não fingem viver. E por isso, não culpa, nem odeia, nem guarda rancor do passado ( ouvia-a a dizer num tom de voz calmo mas não tranquilo ou sereno).

Daria tudo( ela ou eu, é indiferente) para visitar o lugar sagrado onde o eclipse é permanente; onde não se distingue o dia da noite, a sombra da luz. (E então, o coração descongelar-se-ia, o dela ou o meu, é indiferente)
Ela repete que não há razão para guardar rancor do que já passou. Não é tarde de mais.
InEs


Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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