outroscaminhos @ 17:23

Sab, 08/12/07

 
Há entre nós, um paradoxo temporal. Caíste no abismo quando eu nasci. É difícil conceber a morte de um anjo humano.
Porquê? Esta pergunta completamente inútil e ligeiramente romântica mantém-se iluminada no meu pensamento.
O teu jeito angelical e triste dava-te uma beleza mais extraordinária, mais bela ainda. Demasiado efémera.
Odiaste-te e, por isso, anjo triste, caíste como tudo cai. Não sabias quem eras , não te reconhecias no espelho. A tua vida eram lagos de água suja que distorciam a tua imagem ; que te enganavam: diminuíam-te. Nenhum te disse que os teus olhos eram azuis profundos. Mentiram-te porque não gostavas de ti. É fácil mentir sobre a cor do céu a um cego.
E eras, a par disso, um solitário. Estavas só. Eras completamente corroído pela tristeza do vazio. Foste completamente aniquilado pela vida , pelos outros, pelo mundo... sobretudo, por ti. Arruinaste-te .
 Ah! A tua fragilidade comove-me. Porquê? A pergunta volta a incomodar-me. Incomoda-me sempre. Queria, é verdade, ter-te dado a mão para tu agarrares a minha com força. Para eu não me perder no quarto dos espelhos mentirosos. Mas estavas tão longe, sempre... a tua mão caiu, morta, pálida e nunca chegou a conhecer a minha, ou outra qualquer que reflectisse bem a beleza da tua essência.
 O anjo morreu.
 
 Inês



outroscaminhos @ 17:17

Sab, 08/12/07

E porque nem sempre os nossos melhores amigos andam sobre duas pernas, deixo aqui algo sobre o Baltazar (ou simplesmente Balta) -o meu cão- que acompanhou toda a minha infância e adolescência e que, infelizmente, já não está cá para poder acompanhar outra fase da minha vida.

 

Balta, o meu grande amigo, com o qual eu podia partilhar todas as minhas angústias e que, com a firmeza de um olhar aconchegante, me acalmava. Amei, Amo e Amarei sempre o meu cãozinho Baltazar.

 

Abandonaste-nos de uma forma triste, não merecias ter ido assim. Merecias muito mais. Deste-nos o que de melhor um ser poderia ter dado a outro. Eras a imagem do mais positivo ser, sempre companheiro e leal. Estavas cá sempre para nós. Porém, sinto que por vezes te deixámos abandonado. Peço desculpa por tudo isso! Mas de que me valem agora as descuplas? Já não estás comigo... Eu quis estar contigo na tua recuperação mas tu não aguentaste e acabaste por ir. Espera.. oh, não!!! Eu deixei-te morrer!..Nós deixámos-te morrer! Tu aguentaste bastante tempo, nós é que não conseguimos ver os sinais! Desculpa Balta, desculpa. Não merecias nada do que passaste nesta fase final! Tu morreste por culpa de todos nós. Foi um dia repleto de azares e esses azares recaíram todos, todos, todos sobre ti. Porquê? Não merecias! A culpa primordial foi daquelas empregadas que, embora soubessem que o portão era para se manter sempre fechado, para que tu não fugisses, dicidiram deixá-lo bem aberto, e tu, com o teu andar vagaroso, lá saíste e foste dar um pequeno passeio. Depois as características negativas ou menos boas que cada um de nós carrega  viraram-se, sem que nos apercebessemos, sobre ti. A minha mãe com o seu stress e pressas de sair de casa por estar atrasada atropelou-te. A Catarina, que supostamente devia ter ido à tua procura comigo, lembrou-se, como sempre, que primeiro tinha de ir à casa-de-banho. Eu que, com a minha calma, atendi ao pedido da Catarina (queria que eu esperasse por ela, desta forma trariamos o Balta para casa ao colo) e não tive o impulso de ir imediatamente procurar-te. Ao João, meu irmão, nem o vi enquanto tudo isto acontecia.

Foi tudo muito triste.. No dia a seguir a teres sido atropelado foste operado e resististe à operação. E no dia em que nós te íamos levar novamente ao Hospital morreste. Devíamos ter ido mas cedo... mas não vimos os sinais! Nunca esqueceremos o teu olhar, o teu carinho, a tua fidelidade. Deste-nos o que de melhor um ser poderia ter dado a outro.

 

Deixo aqui duas fotos do Baltazar, um Golden Retriever. A segunda foto mostra-nos o quão tolerantes são os cães desta raçaJ.Ana Rita



Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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