outroscaminhos @ 21:15

Ter, 27/11/07

Dizia que ainda não se tinha esquecido dela porque o amor também era o tempo que passava entre o agora e o esquecimento total.
Dizia isto indiferentemente, como se não fosse ele, ou como se fosse um eu dele já muito antigo e distante. Um eu, abandonado numa gruta perdida e esquecida intencionalmente.
Era de noite e as estrelas desenhavam no céu, com um lápis triste de tão imaginado, aquilo que ela tinha sido. Para ele. Ou, talvez, aquilo que nunca chegou a ser. Não, ainda a amava. Mas as estrelas estavam tão tristes que lhe secavam o coração .O céu era maior que ele, e que ela. Era do tamanho do esquecimento. Menor que o amor. Um prevalece, inequivocamente, mais tempo do que o outro. Se ao menos a noite não fosse tão triste...
Não. A noite é só a noite, nada mais do que isso. Estrelas são só estrelas. Não estão tristes, não lembram nada. Não são feitas de um outro material senão o concreto. Mas reflectem o seu próprio passado ao serem vistas; transmitem melancolia...
A noite estrelada era, estranhamente, triste. Ele desconhecia a razão física do porquê. Apenas reconhecia que em algum momento a Natureza tinha-se tornado no seu coração e que a tristeza projectava-se no mundo sensível. De qualquer forma, não teria mais importância. Era a última vez que o céu lhe lembrava o rosto dela.
 
 
Texto inspirado no Poema de Pablo Neruda “Posso escrever os versos mais tristes esta noite.”

            Maria Inês



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