outroscaminhos @ 20:11

Sex, 23/11/07

     Hoje, naquele, hospital houve algo que me despertou. Já antes tinha sentido algo, talvez pena, talvez um pouco de tristeza, mas logo desaparecera.

     Ao canto, naquela cama com uma vista sobre o mar está alguém que sofre. Uma senhora com cabelos tão brancos que denunciam a sua idade avançada. Na hora das visitas não tem ninguém. Os seus familiares estão longe, a mais de cem quilómetros. Não há ninguém. Ela e o mar, apenas. Ao final da tarde o sol que adormece sobre o mar encandeia-a mas não o reflecte. Recusa-se a comer, recusa-se a receber qualquer tipo de tratamento, torna-se até agressiva em algumas situações. É maldade? Não!

     É abandono. Os filhos têm as suas vidas organizadas, já não se interessam por aquela "velha". As poucas palavras que diz são "Eu era tão feliz na minha casa..., é para onde eu quero ir...para a minha casa...".       

     Os filhos, ao verem a mãe doente, decidiram agora pô-la num lar. Ela não se conforma. Tornou-se má. Sente-se abandonada, sente-se desprezada. Os seus olhos perderam a cor de tanta água que deitam. Os médicos e enfermeiros também já não lhe ligam.

      Tudo isto me fez pensar. Talvez não sejamos muito justos, pois não? Nós, jovens, às vezes brincamos com a velhice, mas será que já pensámos o que é que nos vai acontecer quando lá chegarmos? Teremos alguém? Ou seremos como aquela pobre velha a quem todos acham maluca? Deve doer tanto depois de uma vida sentirmo-nos desprezados pelo mundo. Sim, porque o desprezo é o que mais dói!

      Claro que compreendo as situações dos filhos, que na maioria dos casos têm as suas vidas estruturadas, com horários rigorosos, tornando-se impossível dar um pouco de atenção aos outros. Mas será que não há uma forma? Será que não há uma maneira? Não sei...

      Os enfermeiros gritavam com ela, já sem paciência. Senti-me com uma vontade de mudar o mundo, mesmo sabendo que era impossível. No entanto peguei num pacote de bolos e dei-lhos. Não tinha muita consciência do que estava a fazer, mas foi como que um impulso, algo que não consigo explicar. Fiquei congelado à espera da reacção, que podia ser negativa, que podia ser agressiva, que podia ser desesperante. Não o sabia. Ela apenas afastou o olhar fixo do mar. Olhou para mim e sorriu. O sorriso mais sincero que vi até hoje. Mas também o sorriso mais magoado.

     Desapareci ao fundo do corredor como tudo na vida desaparece, mas olhei para trás. Ela acenou... Acenei também, sorrindo.

     Talvez nunca mais a veja, mas o seu sorriso ficará sempre marcado na minha mente... E, sabem, por muito que nós possamos brincar ou gozar com a velhice, nunca nos devemos esquecer: com alguma sorte também lá vamos chegar. E quando for connosco?     

  

       Dedicado àquela velhinha de quem não sei o nome...

 

Amadeu Martins

 

 



Joana Beites @ 21:23

Sex, 23/11/07

 

Pois e' amiguinho, parece que descobriste mais uma realidade dura e fria. Mas a verdade e' k nos imensos hospitais e lares que temos, milhares de idosos se sentem em plena solidao e revoltados com o fim triste que lhes calhou.

Confirmo tudo aquilo que descreveste porque infelizmente tive a sorte de passar uns dias numa cama de hospital e olhar a' volta e ver ... ver com os olhos e com o coraçao e, posso afirmar que e' horrivel estar num hospital pois um segundo parexe uma hora, um minuto um dia... e se nao tivermos companhia, quem nos visite durante instantes e' horrivelmente mau... Ver os outros doentes a receber visitas e nos NADA... Como disse se isto por instantes e' mau entao durante dias e' PEXIMO !

Ha' enfermeiros e auxiliares bons e maus, como tudo na vida! AGORA se, os familiares nao t^^em tempo para ir visitar nem que seja por 20 minutos um ser humano entao tambem nao tem direito ao dinheiro e bens que estes seres juntaram uma vida inteira!

Sempre me ensinaram ..

Respeitar e ouvir sempre os mais velhos, isto e', os mais experientes pois os livros que nos andamos a ler ja' eles rasgaram a' muito tempo!

D^^em valor aos vossos avos, aos idosos, e acima de tudo aos seres humanos que vos acarinham e tratam de vcs como um diamante.

Beijinhos gandes e gostei do post =)*

Sara Castro @ 22:02

Sex, 23/11/07

 

Belo Post!!!! Como tu dizes e bem, ñ podemos mudar o mundo mas podemos fazer pequenas coisas para o melhorar.
A tua atitude deve ter ficado marcada na memória daquela velhinha, pois todos aqueles que cuidavam dela desprezaram-na e nao lhe davam o carinho de que ela precisava.
E o único gesto de bondade e de amizade que ela recebeu foi de alguém que ela nunca tinha visto na vida. Foi um belo gesto dar-lhe alguma alegria.

Beijos amigo

Margarida @ 22:09

Sex, 23/11/07

 

Amadeu...
Ambos sabemos sentir intensamente coisas que pessoas de 40 anos n o sabem... Hoje apenas com 17 anos sabemos o que é a morte , sabemos o que é isso acontecer nos nossos braços por inúmeras razões, sei o que é idosos se agarrem a mim a pedirem miminhos pk vao morrer, sei o que é uma mãe a morrer e a pedir para olhar pelo seu filho...sei o que é o sofrimento daqueles que querem morrer em paz mas nao conseguem pelos laços que têm ás pessoas de cá ..Sei o que o abandono dos idosos, sei o quanto gozam e ridicularizam os idosos quando deveriam ter respeito pois como tal sao grandes sabedores da vida.... com eles aprendemos imensa coisa... Aprendemos por exemplo que o verdadeiro amor nao é quando duas pessoas se olham mas sim quando essas olham na mesma direcção. Mais importante que prestar cuidados de emergÊncia médica é ouvirmos as pessoas, acarinha-las como uma mãe faz a uma filha e acredita q j á fix isso inumeras vezes e sabes uma coisa.... o Sorriso que recebo enche-me a alma de alegria e por momentos volto a ser a criança que brincava nos braços de uma avó.... Sabes eu chorei a ler o teu texto pk foi tao sentido com todas as realidades que eu ja vivi nesse contexto...

Ho amigo conheçes aquele história da manta?! Antigamente quando os pais envelheciam e ja n podiam trabalhar os filhos agarravam nos pais ,levavam uma manta e iam abandonalos num monte para que eles lá morresem .... Um dia um filho foi levar o seu pai e quando se despediam o pai chamou-o e disselhe : - Toma meu filho leva a manta contigo.Ao que o filho respondeu , nao pai, ao menos que morras sem frio!Ao que o pai lhe disse leva a manta para que daqui a uns anos a possas dar ao teu filho quando ele te vier abandonar neste local tal como tu me est á s a fazer... O filho pegou no seu pai e levou-o de regresso para sua casa e tratou dele até á sua morte! Hoje sao eles . amanhã seremos nós.... por favor amigo se voltares a ver essa e outras senhoras nao vires as costas, sÊ diferente pk um pequeno gesto teu pode mudar muito coisa..

Acredita que falo do que sei!! Beijinhos enormes com mt força, nc desistas de tentar mudar akilo k n está correcto!!
De pequenos gesto se fazem os grandes e mais importantes!

Aquela amiga com quem poderás contar sempre: ANa Margarida( a tua lela!!LOl)

Tiago Mendes @ 14:44

Sab, 24/11/07

 

Hoje a velhice é encarada como inutilidade, mas será mesmo assim? Tenho a certeza que essa velhinha tem muito para ensinar… Quanto aos familiares penso que não sabem o que estão a perder, o pior é que eles não são os únicos, a velhinha também perde pouco a pouco e dolorosamente a felicidade e a esperança. Se é que ainda lhe resta alguma.

Tenho a certeza que com o teu gesto ela se sentiu um pouco melhor, dentro da sua angústia e infelicidade. E o sorriso de alguém que se lhe deu alguma atenção lhe ficará gravado na memória.

Uma bela historia que nos diz muito sobre os nossos "velhos" de hoje!


Ana Silva @ 16:21

Dom, 25/11/07

 

Ás vezes queremos mudar o mundo e não sabemos como mas são pequenos gestos como um sorriso, uma caricia ou um pouco de atenção para com alguém que está só que podem tornar o mundo bem melhor. E afinal, é tão fácil tornar os outros mais felizes...

Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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