outroscaminhos @ 20:31

Ter, 11/03/08

Descobriste, no traço leve da tua escrita solitária, o segredo da vida. Como quem respira o odor do vento, como quem planta uma árvore, tu desvendaste-o, ou ele, perante ti, apercebeu-se do nada que era. Nada mais forte há que a suavidade de um Ser Humano.

Reflectiste sobre ti com a imparcialidade de um juiz estranho ao mundo, ouviste-te, ouviste o teu outro lado, condenaste. E em tudo foste justa. Primeiro ouviste Reis com a sua filosofia de áurea mediocritas de aproveitar a vida, aprender a viver, aceitar o que vier, sobretudo a morte. Não te mentirei, é sedutora a filosofia: é mais terrível o sofrer por uma causa futuramente inútil do que amar insensatamente uma flor. Ela não dura para sempre, assim como tu, e o sentimento de perda torna o homem demasiado vulnerável...

Mas não foste irracional, não te deixaste iludir e vencer pela fraqueza do momento –independentemente da convenção, um segundo dura sempre um segundo. Fizeste o balanço e alcançaste a eternidade na tua vida efémera. O conceito existe na nossa alma, não na vida.

Fere tudo a um Homem, mas, se lhe retirares o coração, retiras-lhe o murmúrio da vida. E, ao apercebeste-te disto, no teu traço sozinho de uma condenada à mudez, falaste e dissertaste.  A tua voz foi tão límpida como um grito de guerra e fez as montanhas da ignorância ruírem ao som do eco. Saber viver é saber morrer e tu sabes como aproveitar o momento. Os dias de sol são tão bons como os de chuva, se os aprenderes a amar. Nunca arrancaste a nada o coração, o sentimento, a humanidade que existe ,até numa pedra. E és, na tua humildade, livre na tua escravidão porque notaste que eras escrava da reflexão.

Encontraste o Apolo em ti, fizeste-te e construíste-te. A tua força é a modéstia verdadeiramente sentida, a tua perspicácia o sabor do vento, os teus olhos o azul do mar. Construíste-te. Nada mais forte é que a crença humana. E tu acreditas na vida, no florescer de uma flor, no mundo que existe numa poça de água.

O segredo da vida é acreditar nela. E tu descobriste-o, pensando sobre Ricardo Reis. E não esqueças, não estar errado não implica que o inverso não seja certo; e estar correcto não impede a existência de outros mundos paralelos diferentes e belos. Simplesmente, não podes viver como  Reis. E tu sabes disso, vives como tu própria. Quem não existe, não vive.

Maria InEs



Ana Silva @ 16:25

Qua, 12/03/08

 

Ai Ines que veia tão poética!!! Um texto muito agradável que faz pensar e comprova o teu jeitinho para a escrita.

Temos escritora sim senhora!!

Bjokas!!

Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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