outroscaminhos @ 19:01

Qui, 29/11/07

Passam horas,
os meus pensamentos teimam comigo, 
e a tinta que no papel escreve,
continua sem direcção,

 

surgem as palavras confusas, 
e os pensamentos menos desejados,
claro, para enlouquecer-me
neste universo de dúvidas,

 

E vão-se os minutos que se transformam em dias, meses, anos,
E a minha mente ri de todas essas minhas desilusões.

 

Quanto mais perto pareço estar,
Mais longe estou,
E entendo o porquê de cada vez mais me afastar!

 

Nadia Correia nº8




outroscaminhos @ 21:15

Ter, 27/11/07

Dizia que ainda não se tinha esquecido dela porque o amor também era o tempo que passava entre o agora e o esquecimento total.
Dizia isto indiferentemente, como se não fosse ele, ou como se fosse um eu dele já muito antigo e distante. Um eu, abandonado numa gruta perdida e esquecida intencionalmente.
Era de noite e as estrelas desenhavam no céu, com um lápis triste de tão imaginado, aquilo que ela tinha sido. Para ele. Ou, talvez, aquilo que nunca chegou a ser. Não, ainda a amava. Mas as estrelas estavam tão tristes que lhe secavam o coração .O céu era maior que ele, e que ela. Era do tamanho do esquecimento. Menor que o amor. Um prevalece, inequivocamente, mais tempo do que o outro. Se ao menos a noite não fosse tão triste...
Não. A noite é só a noite, nada mais do que isso. Estrelas são só estrelas. Não estão tristes, não lembram nada. Não são feitas de um outro material senão o concreto. Mas reflectem o seu próprio passado ao serem vistas; transmitem melancolia...
A noite estrelada era, estranhamente, triste. Ele desconhecia a razão física do porquê. Apenas reconhecia que em algum momento a Natureza tinha-se tornado no seu coração e que a tristeza projectava-se no mundo sensível. De qualquer forma, não teria mais importância. Era a última vez que o céu lhe lembrava o rosto dela.
 
 
Texto inspirado no Poema de Pablo Neruda “Posso escrever os versos mais tristes esta noite.”

            Maria Inês




outroscaminhos @ 19:05

Ter, 27/11/07

Construímos uma tela com cooperação e é com essa mesma cooperação que, todos os dias, voluntários do nosso país dão um pouco de si a quem precisa. Dão as suas mãos e quase sempre o seu coração a uma causa, com o objectivo de tornar o mundo um lugar onde todos podemos ser felizes e realizados. Todos nós temos que encontrar um ninho para pôr o amor que temos para dar e que nos sobra. E que maneira melhor do que ajudar os outros? Dar um pouco de nós a quem pouco tem de seu.
            Com um pouco de cada um, desde alunos a professores, construímos a nossa tela, com empenho, trabalho, dedicação e emoção. E é isto que fazem os voluntários com o objectivo de fazer alguém feliz^.
 
    DIA INTERNACIONAL DO VOLUNTARIADO
5 DE DEZEMBRO
Amadeu Martins
Ana Silva
Joana Beites
Tiago Mendes

 

 

 

 

Obrigado a todos os que participaram!!!

A tela vai estar exposta de dia 5 de Dezembro até dia 14 de Dezembro, no Polivalente da ESA.

 


sinto-me: humm... talvez cheios de tinta


outroscaminhos @ 16:49

Dom, 25/11/07

Domingo, o dia da semana que para muitos serve para descansar, estar com a família, fugir à rotina do dia-a-dia. Para mim, o dia da melancolia e da reflexão dolorosa.
Hoje os domingos para mim são o dia em que não sonho, passo as horas a pensar no futuro e chego sempre à mesma conclusão: que não tenho certeza de que irei encontrar a saída do labirinto em que estou. Aos domingos não vejo um futuro promissor e as vezes nem sequer vejo futuro. Penso que poderia ter feito muito mais nas horas que passaram se não tivesse perdido tempo em inutilidades.
No passado, os domingos eram menos cinzentos. Distraía-me com os cheiros da terra, com o trabalho na quinta e com as brincadeiras próprias de miúdos ingénuos. Corria para espantar a melancolia, que naquele tempo era pouca, porque vivia no constante sonho de miúdo. Tinha grandes ilusões e talvez por isso esteja agora desiludido comigo porque deveria ter feito muito mais. Mas agora já é tarde, só quero encontrar a saída.
A única esperança ao domingo é que a semana vai começar e eu vou viver num sonho, mesmo que seja momentâneo.
 
Tiago Mendes
 



outroscaminhos @ 20:11

Sex, 23/11/07

     Hoje, naquele, hospital houve algo que me despertou. Já antes tinha sentido algo, talvez pena, talvez um pouco de tristeza, mas logo desaparecera.

     Ao canto, naquela cama com uma vista sobre o mar está alguém que sofre. Uma senhora com cabelos tão brancos que denunciam a sua idade avançada. Na hora das visitas não tem ninguém. Os seus familiares estão longe, a mais de cem quilómetros. Não há ninguém. Ela e o mar, apenas. Ao final da tarde o sol que adormece sobre o mar encandeia-a mas não o reflecte. Recusa-se a comer, recusa-se a receber qualquer tipo de tratamento, torna-se até agressiva em algumas situações. É maldade? Não!

     É abandono. Os filhos têm as suas vidas organizadas, já não se interessam por aquela "velha". As poucas palavras que diz são "Eu era tão feliz na minha casa..., é para onde eu quero ir...para a minha casa...".       

     Os filhos, ao verem a mãe doente, decidiram agora pô-la num lar. Ela não se conforma. Tornou-se má. Sente-se abandonada, sente-se desprezada. Os seus olhos perderam a cor de tanta água que deitam. Os médicos e enfermeiros também já não lhe ligam.

      Tudo isto me fez pensar. Talvez não sejamos muito justos, pois não? Nós, jovens, às vezes brincamos com a velhice, mas será que já pensámos o que é que nos vai acontecer quando lá chegarmos? Teremos alguém? Ou seremos como aquela pobre velha a quem todos acham maluca? Deve doer tanto depois de uma vida sentirmo-nos desprezados pelo mundo. Sim, porque o desprezo é o que mais dói!

      Claro que compreendo as situações dos filhos, que na maioria dos casos têm as suas vidas estruturadas, com horários rigorosos, tornando-se impossível dar um pouco de atenção aos outros. Mas será que não há uma forma? Será que não há uma maneira? Não sei...

      Os enfermeiros gritavam com ela, já sem paciência. Senti-me com uma vontade de mudar o mundo, mesmo sabendo que era impossível. No entanto peguei num pacote de bolos e dei-lhos. Não tinha muita consciência do que estava a fazer, mas foi como que um impulso, algo que não consigo explicar. Fiquei congelado à espera da reacção, que podia ser negativa, que podia ser agressiva, que podia ser desesperante. Não o sabia. Ela apenas afastou o olhar fixo do mar. Olhou para mim e sorriu. O sorriso mais sincero que vi até hoje. Mas também o sorriso mais magoado.

     Desapareci ao fundo do corredor como tudo na vida desaparece, mas olhei para trás. Ela acenou... Acenei também, sorrindo.

     Talvez nunca mais a veja, mas o seu sorriso ficará sempre marcado na minha mente... E, sabem, por muito que nós possamos brincar ou gozar com a velhice, nunca nos devemos esquecer: com alguma sorte também lá vamos chegar. E quando for connosco?     

  

       Dedicado àquela velhinha de quem não sei o nome...

 

Amadeu Martins

 

 




outroscaminhos @ 17:34

Sex, 23/11/07

Considerei esta notícia bastante chocante, na medida em que os direitos das mulheres são completamente violados...

Leiam com atenção:

Jovem brasileira esteve presa com mais de 20 homens e foi violada durante um mês
23.11.2007 - 11h26 PUBLICO.PT
Uma jovem, com idade entre 15 e 20 anos, foi colocada numa cela prisional com cerca de 20 a 30 homens no Brasil, no estado do Pará, e terá sido repetidamente violada durante quase um mês.

A jovem tinha sido presa em flagrante delito de furto e foi para a delegacia (esquadra de polícia) de Abaetetuba, na região metropolitana de Belém, onde ficou na referia cela por pelo menos 26 dias, conta a “Folha de São Paulo” no seu serviço on-line, que noticiou o caso terça-feira.

O Conselho Tutelar do município confirmou que a jovem tem menos de 18 anos e disse ter sido abusada sexualmente pelos colegas de cela.

Um responsável da polícia local, Celso Viana, justificou a prisão da jovem juntamente com homens por ter sido apanhada em flagrante delito e a esquadra local ter apenas uma cela. E disse que quando foi detida a jovem afirmou ter 19 anos.

Grupos de brasileiros de direitos humanos citados pelo serviço “on-line” da BBC, dizem no entanto não ser certo de que é que a jovem era suspeita e que não houve acusação formal. Grupos de defesa dos direitos das mulheres dizem não se tratar de um caso isolado.

Hematomas e queimaduras de cigarros

O conselheiro tutelar José Maria Ribeiro Quaresma, citado também pela Folha Online, afirmou ter recebido uma denúncia anónima sobre a situação no dia 14. Segundo ele, a jovem tem 15 anos, conforme certidão de nascimento em poder daquele órgão.

A prisioneira apresentava hematomas e queimaduras de cigarros pelo corpo, segundo a mesma fonte. Foi submetida a exame de corpo de delito, mas o relatório não foi concluído.

Os polícias que detiveram a jovem foram entretanto afastados de funções pela direcção da Polícia Civil do Pará

Justiça do Pará estava a par da situação

A Justiça do Pará tinha sido informada de que havia uma mulher numa cela com 20 homens, mas não agiu.

Celso Viana disse que as autoridades judiciais foram informadas no dia imediatamente a seguir a ser presa e que a polícia local não podia tomar outras providências sem a sua autorização.

A governadora do estado do Pará, Ana Júlia Carepa, citada pela BBC, prometeu um inquérito completo ao caso e disse que ficou chocada quando soube da notícia.

PUBLICO.PT

Ana Margarida Pedro






outroscaminhos @ 11:13

Sex, 23/11/07

No início da década de 60 o presidente John F. Kennedy colocou como meta para os E.U.A. o envio de um Homem à Lua antes do fim da década. Este desafio foi concretizado no projecto Apollo. Em 20 de Julho de 1969 Neil Armstrong tornou-se o primeiro Homem a caminhar na Lua.

A Lua é o único planeta que tem uma influência directa sobre a Terra, sensível à escala humana. De facto, como se sabe, as marés são provocadas pela atracção da Lua sobre os oceanos; menos conhecido é que a Terra sólida também sofre o efeito de maré, com variações de altura que atingem dezenas de centímetros.

A interacção gravitacional Terra-Lua tem outras consequências interessantes: o efeito de maré atrasa a rotação da Terra cerca de 1.5 milissegundo por século e afasta a Lua da Terra cerca de 3.8 cm por ano; além disso, é esta interacção gravitacional a responsável por a rotação da Lua ser síncrona com a sua translacção.

   

Na terra, o pôr-do-sol, na Lua ,o pôr-da-Terra...

 

 

 

 

Referências:

http://www1.ci.uc.pt/iguc/atlas/06lua.htm

http://pt.wikipedia.org/wiki/Lua

Ana Rita




outroscaminhos @ 10:48

Sex, 23/11/07

Estranhamente, pergunto-me porque queremos sempre aquilo que não temos, aquilo que nunca podemos ter. Lutamos  e damos tudo por pessoas que nada merecem e àqueles que o merecem temos tendência a desprezar. E os risos escondem-se na memória e as lágrimas espalham-se nas mãos. Sofremos por não saber em quem confiar, sofremos porque não sabemos quem amar, sofremos porque amamos quem não nos merece e sofremos porque gostaríamos de amar aqueles que nos amam de verdade sem nos pedirem algo em troca. Cada palavra parece ser uma sentença de morte, cada suspirar parece ser o derradeiro, cada traço de solidão pede a morte como final. A alma pode ser um pedaço negro se deixares, o coração um nicho de monstros. Abre as asas e voa, o céu tem de ser o limite. Não deixes que o mundo te corte as asas, eles não sabem o que é viver. Afinal, eles nem SABEM o que é voar!

"A vida é uma peça de teatro que nao permite ensaios", por isso Viva intensamente!*

Ana Margarida Pedro




outroscaminhos @ 23:54

Qui, 22/11/07

 

      Um dia vou largar tudo, vou agarrar nos amigos de sempre, vou por a mochila às costas, vou entrar no primeiro comboio que aparecer na gare e conhecer o mundo inteiro.

      Um dia vou faltar a uma reunião qualquer, vou caminhar até à praia e olhar o mar, vou sentir todos os grãos de areia acariciarem-me o corpo.

      Um dia vou sair de casa na trovoada, vou deitar-me na relva e sentir cada gota da chuva fria no meu rosto.

      Um dia vou puxar-te por um braço, vou levar-te comigo, vou mostrar-te tantas coisas, vou beijar-te a meio de uma frase.

      Um dia vou. Hoje é o dia.

 

Nádia Abrantes 

                                                                                       

 




outroscaminhos @ 22:33

Qui, 22/11/07

Nos semáforos da rua de Santa Catarina

Ao menos os teus olhos permanecem

verdes durante todo o ano 

 

Poema de José Braga

 

 

Inês



Depois de concluirmos uma etapa, e porque a vida não pára, chegam novas aventuras e novas descobertas por novos caminhos....
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